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Espiritualidade da Pastoral

 

1 – Introdução: O que é a espiritualidade?

A espiritualidade é o próprio amor de Deus agindo em nós.

E como Deus é amor, a espiritualidade é o próprio Deus em nós, conferindo-nos luz, sabedoria, energia, entusiasmo, criatividade, paz, harmonia, compaixão, discernimento, fidelidade, doação total, renascimento, unção, transformação das situações de morte em ressurreição: Páscoa, Pentecostes…

E como Deus é FAMÍLIA ( a Santíssima Trindade) a espiritualidade se expressa na comum-união, na aliança, na inserção, na reconciliação, no perdão, na busca dos preteridos, na misericórdia.

 

2 – Deus é rico em misericórdia

Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso…

A misericórdia triunfa sobre a justiça, é gratuita.

Jesus, movido pela presença de Amor nele (Espírito Santo), sentiu-se impelido e capacitado para transformar sua história, numa história de amor. Tornou-se sinal e portador do amor do Pai. “Quem me vê, vê também o Pai”.

Ele veio salvar quem está perdido. Ilustrou esse seu projeto de vida com seus testemunhos de vida junto aos pecadores: Mateus, Zaqueu, Madalena, Bom Ladrão…

Enriqueceu-nos com as parábolas da misericórdia: Dracma perdida, Ovelha perdida, Filho pródigo, Bom Samaritano.

Ensinou-nos a perdoar setenta vezes sete.

Derramou até a última gota de seu sangue, como prova perene do seu amor. Transformou-se em sacrifício de expiração: “Este é meu corpo e meu sangue entregue por vós e por todos para a remissão dos pecados”. Pecados meus e seus, de toda a humanidade, de todos os tempos.

A misericórdia é a grande e divina vencedora.

 

 

Espiritualidade do Agente

 

3 – O agente da Pastoral da Sobriedade é perito em misericórdia

Eterno Pai, eu vos ofereço o corpo, sangue, alma e divindade do nosso Diletíssimo Filho,  Jesus Cristo, em expiração dos meus pecados e do mundo inteiro.

Não existe nenhum pecado maior do que a misericórdia de Deus.

Deus colocou um limite na maldade dos homens, a sua Divina Misericórdia.

Tem só uma coisa que Deus não consegue fazer: deixar de amar você!

Essa é a espiritualidade que mais convêm aos agentes da Pastoral da Sobriedade. Precisamos nos especializar em misericórdia, sermos peritos nessa prática.

“Felizes os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.

Essa é a grande promessa que deve nos animar: nós também precisamos da misericórdia para sermos salvos.

Ao invés de julgar, de apontar, de condenar, nós fomos chamados para amar mais.

Procure me amar mais quando menos mereço, porque é então que mais preciso.

 

4 – Como é o amor misericordioso?

Enumero dez setas indicativas que servem de orientação para seguir o melhor caminho: O amor misericordioso de Cristo.

 

4.1  O amor misericordioso é comunhão: Somos criados á imagem e semelhança de Deus. Deus é uma Família Divina, composta de três pessoas. Quanto mais vivemos em família, mais seremos semelhantes a Deus. “Que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão com o Espírito Santo, estejam convosco.” “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”.

Somos membros da Família de Deus. “Abba”.

Excluir alguém é como se decepássemos um membro do próprio corpo. O outro faz parte de mim eu dele.

Formamos um só corpo. Jesus é a cabeça.

O Pai não quer que ninguém se perca.

Jesus veio salvar quem estava perdido.

O Espírito Santo faz de nós uma só povo. Já não há nem Gregos, nem Judeus…

O teste da comunhão se verifica em nosso relacionamento com os chatos, doentes, pobres, inimigos, como os dependentes, os portadores de HIV.

 

4.2  O amor misericordioso é personalizado: “Eu não poderia te amar tanto, se não respeitasse mais do que te amo”, um amor todo expresso através da acolhida, diálogo, respeito, solidariedade…

“Não passarei indiferente ao lado de ninguém” (Laura de Vicunha).

Faz dos preteridos os preferidos.

Não só atende ás urgências, mas cultiva a dignidade.

 

4.3  O amor misericordioso é gratuito: E quanto mais gratuito melhor será um “sacramento” do amor de Deus. “Dai de graça, o que de graça recebestes”.

Morrer “rico” é falta de criatividade.

É como amor de Mãe: gera vida. Faz sempre algo mais do que a obrigação. Como Deus é bom. Você caiu do céu.

 

4.4  O amor misericordioso é reconciliação: “Sacramento” do amor de Deus é reconciliador, rompe barreiras, complexos, ciúmes, status, sexo, classe social.

Estabelece comunicação, valoriza a experiência do outro.

Está convicto que por melhor que seja alguém, jamais conseguirá ser tão bom e eficiente quanto todos nós unidos.

Valoriza os simples. “Pai te dou graças…”

 

4.5  O amor misericordioso é humilde, simples: Outra característica do amor que atualiza o amor de Deus é a humildade. Quem quiser ser o maior seja o menor. Os humildes serão exaltados. O humilde nunca pretende ser melhor que o outro, mas melhor para o outro.

 

4.6  O amor misericordioso é rápido e fiel: Reconhecemos ainda á presença do amor de Deus quando o amor é rápido e oportuno, chega na hora certa.

“Ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

“Que o sol não se ponha sobre vossa ira”.

Perdoa logo com a vontade, mesmo que os sentimentos não acompanhem. Eu quero mesmo que não sinta. É um ato da vontade . Permanecer sempre, é fiel, não desanima.

 

4.7  O amor misericordioso é serviçal: O amor de Deus, revelado por Jesus, é serviçal. Jesus é o lavador de pés, colocou seu amor a disposição dos cegos, surdos, coxos, leprosos, encarcerados, pecadores. “Ide contar a João o que vistes e ouvistes”… A Igreja é a serva da humanidade.

“Sonhei que a vida é alegria. Acordei e percebi que a vida é serviço. Servi e constatei que o serviço é alegria”.

“Alegria em servir do que em receber”.

 

4.8  O amor misericordioso é operante: Deus ama através da ação. “Meu pai continua trabalhando até agora e eu também trabalho” A fé sem obras é morta.

Tudo o que é bom custa. O amor é ativo, criativo;

“Eis que faço novas todas as coisas”. Arregaça as mangas.

Sensibiliza pessoas. O mal está bem articulado, é preciso articular bem o bem. “As nossas férias faremos no paraíso”.(Dom Bosco).

 

4.9  O amor misericordioso é sempre ternura: Quanto mais terno, melhor se torna sacramento do amor de Deus. Forte é quem nunca abandona a ternura nem mesmo na dor. Forte é quem morre mas não admite matar. Forte a semente que morre, mas morre para ressuscitar. “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e fatigados e eu vos aliviarei”. “E a vós dou a minha paz”.

Até os animais apreciam a ternura.

 

4.10  O amor misericordioso é alegre, é cheio de bom humor: São essas as características mais divinas do amor revelado por Jesus. “Eu vos disse essas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa”. “Perfeita é a alegria na vossa presença”.

Em síntese: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amo”.

 

5 – Jesus é sinal e o portador do amor de Deus: amou e recomendou amar

Tornou-se sacramento, não apenas símbolo ou doutrina.

O primeiro testamento, trouxe a lei.

O novo testamento, Jesus, nos trouxe a graça, a vida plena.

Jesus prometeu que rios de água vida nasceriam dentro de nós.

Tornar-se discípulo de Jesus, não consiste apenas em seguir seus ensinamentos, mas ser movido pelo mesmo Espírito Santo que repousou sobre Jesus. Ser discípulo significa nascer de novo. Tornar-se cheio de graça, como Maria, como os apóstolos: Ser batizado no Espírito; dócil á ele, conduzido por ele, ser uma criatura nova.

O espírito de Cristo ressuscitado faz novas todas as coisas.

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis, acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra”.

A única fonte da verdadeira espiritualidade é o amor, este é, o próprio Deus: “Deus Caritas est”.

“Sem mim, nada podeis fazer”.

Tudo posso naquele que me conforta.

Junto a mim, seu cajado, passarei os mais difíceis abismos, sem temer mal nenhum.

Pior que uma Igreja vazia, é uma Igreja cheia de gente vazia.

 

6 – Alguns passos a serem dados para amar como Jesus ama e participar do Reino de Deus

 

6.1 – Primeiro passo – Procurar cultivar a perfeição do amor

Não basta amar, é preciso demonstrar, ser sinal.

Deixar que o amor penetre na inteligência, no olhar, nos ouvidos, na língua, nas mãos, nos ombros, nos pés, no sexo, no bolso, nos sentimentos.

 

6.2 – Segundo passo – Amar o próximo como a si mesmo

Evitar de fazer para o outro o que não gostaria que o outro fizesse para mim.

Nunca passar indiferentemente ao lado de ninguém.

Perguntar-se diariamente: Quem seria a pessoa que está mais precisando de mim?

Partilhar o que é, e tem de disponível.

 

6.3 – Terceiro passo – Ver Deus no outro

Não existe pessoa de segunda de classe. Todos somos criados a imagem e semelhança de Deus. Não fazer acepção de pessoas por interesse ou pela aparência.

Resgatar a dignidade das pessoas.

Atender não apenas ás urgências de pobreza, doença ou vícios, mas cultivar a dignidade da pessoa, sua santidade.

Tudo o que fizermos que seja com tal amor, como se tivéssemos tratando com Jesus.

Esse irá ser o teste para a aprovação de nossa entrada em definitivo no Reino. “Eu estava com fome e você me deu de comer…”

Eras tu, Senhor!

 

6.4 – Quarto passo – Amar como Jesus amou

Interrogar-se diariamente: “Se Jesus estivesse em meu lugar, o que Ele faria?”

Na parábola do Bom Pastor, e do Bom Samaritano, Jesus se torna o Mestre do amor.

Na doação total de si, na eucaristia, Ele culmina sua proposta, lavando os pés, entregando-se totalmente e prometendo estar conosco para sempre.

 

6.5 – Quinto passo – Deixar-se amar

O amor é comunhão de vidas. Não se trata apenas de se doar, mas de ser humilde para receber.

“Tu me amas?”

Não se trata de carências doentias, mas da circulação do amor, como entre as três pessoas da Trindade e a maneira da Igreja Primitiva: “Vede como eles se amam”.

Trabalhar contra todo tipo de orgulho ou de superioridade concorrente.

“Não queira ser melhor que o outro, mas melhor para o outro”.

Por melhor que seja alguém, jamais conseguirá ser tão bom e eficiente quanto todos nós unidos.

Jesus celebra conosco uma aliança nova e eterna e não apenas um amor unidimensional.

Ele é Ponte, liga, une diferenças, reconcilia, perdoa.

 

6.6 – Sexto passo – Articular forças positivas

O mal está bem organizado, é preciso organizar bem o bem.

Sensibilizar, motivar, procurar apoio, criar organizações, parcerias, recursos, formação, comunicação, descentralização, planos, estratégias, santa esperteza.

“Os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”, disse Jesus e isso não pode ser repetido.

Temos que ser sal, luz, fermento, liderança, grupos de apoio.

 

6.7 – Sétimo passo – Procurar primeiro o Reino de Deus

O reino de Deus é de Deus e Ele dá para quem quiser, mas Jesus fez de tudo para seguir os princípios do Reino: O maior, no Reino, é quem serve.

No Reino, os humildes serão exaltados.

As Bem-aventuranças são os estatutos do reino.

É o senhor que opera em nós maravilhas.

A divina providência, existe. A Ressurreição também.

Venha á nós o vosso Reino! Oração, Jejum, Penitência, Justiça, Verdade, Solidariedade, Misericórdia, Conversão…

 

6.8 – Oitavo passo – Dar continuidade á Páscoa e ao Pentecostes

Deus não criou ninguém para ser miserável, escravo, viciado, mas para sermos livres para amar e servir.

Jesus venceu o mundo “mundano” e expulsou todo medo: “Não tenhais medo, meu pequeno rebanho, eu venci o mundo”.

Repito sempre: quem que medo de morrer, morre de medo. Não soluce, solucione.

A coragem vem do “Cor”, do coração unido a Deus.

Os pequenos “Davi” continuam vencendo os gigantes “Golias”. Os muros vão cair.

A pedra do sepulcro se rompeu: Ele está no meio de nós. É o Senhor do Céu e da Terra. Todo poder lhe foi dado.

O Espírito de Deus nos foi comunicado sem limites!

O Pentecostes não se reduziu a um ar condicionado.

A comunhão dos Santos é muito amais do que um mundo conectado pela internet.

Maria é a onipotente suplicante.

Ele está no meio de nós. Não tirou férias.

O otimista até pode errar. O pessimista já começa errado.

A esperança não decepciona.

O amor jamais passará.

Haverá novos céus e novas terras.

 

6.9 – Nono passo – Optar sempre pela bondade, pela mansidão

Felizes os portadores de paz, os mansos, os humildes… deles é o Reino de Deus.

Forte é quem nunca abandona a ternura, nem mesmo na dor.

Forte é quem vive a bondade, a verdade e a justiça, mesmo quando a mentira parece vencer.

Forte é quem morre, mas não admite matar.

Forte á a semente que morre, mas morre para ressuscitar.

A bondade não é uma virtude a mais, mas uma síntese de todas as virtudes. É a virtude mais admirada nas pessoas. Com ela, com paciência, com ternura, tudo se consegue.

Foi essa estratégia usada por Jesus.

“Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e achais paz para as vossas vidas”.

 

6.10 – Décimo passo – Viver a Palavra de Deus

Semear sempre o amor, a verdade, a justiça, a solidariedade, a misericórdia, a Palavra de Deus. São sementes de imortalidade.

A Bíblia foi escrita para você. A Palavra de Deus é semente sempre renovada. Cuidar bem do terreno.

A palavra é luz para nossos passos.

Não só de pão vive a pessoa, mas da Palavra.

“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua Palavra”. A palavra jamais passará.

 

7 – Outras práticas importantes para o cultivo da Espiritualidade entre os agentes da Pastoral da Sobriedade

 

7.1 – Aprender a caminhar na presença de Deus

Chamado ou não chamado, Ele está presente, concedendo-nos a cada instante o que mais nos convêm.

Compor salmos diante do que vemos e sentimos. Orar com os salmos.

É preciso orar sempre e sem cessar, recomendou Jesus.

Perfeita é alegria na presença de Deus.

Ele está no meio de nós, sempre!

 

7.2 – Cultivar sempre a pureza de consciência

Os puros de coração verão a Deus.

Fazer com frequência exame de consciência. Ela é a nossa bússola, o nosso despertador, o nosso radar, nosso volante, nosso leme.

Vigiai e orai.

O autodomínio, a sobriedade é questão de atenção á consciência.

Quando necessário, purificar a consciência pelo arrependimento, pela partilha no grupo de autoajuda e particularmente pelo sacramento da penitência.

Que o sol não se ponha sobre a nossa ira, raiva, inveja, ciúme, ódio.

A aranha pode cair sobre sua cabeça; não deixe que ela faça uma teia. Reconciliar-se.

 

7.3 – Viver a Eucaristia como um projeto de vida global

O Cristão mesmo não morre simplesmente, ele dá a vida por amor.

Dá a vida e não apenas migalhas.

Ele é como uma semente a ser plantada por inteiro.

Quem quiser guardar a sua vida, vai perdê-la, disse Jesus.

Tempos atrás, um amigo meu, Pe. Olímpio Martins Ferreira, deixou ao falecer, o seu corpo todo para a Faculdade de Medicina. Foi uma entrega total.

Assim aconteceu com Jesus: Tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim.

Ele não é apenas o sacerdote, mas a vítima, o novo Cordeiro de Deus, sacrificado na Páscoa.

Ele pediu que fizéssemos isso em sua honra.

Fazer isso, significa não apenas repetir as palavras e o rito litúrgico, mas vivenciar o seu projeto de vida: doação total.

O Pai me ama porque eu dou a minha vida.

Esse é o sacrifício agradável a Deus.

É sempre com interromper de vez em quando as atividades e se perguntar: Será que isto que estou fazendo, falando, pensando, ou deixando de fazer, eu poderei colocar no altar, no ofertório da missa, no domingo?

“Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a maior glória de Deus”.

Muito morrem enterrando uma boa porcentagem dos seus dons sem usá-los em vida para amar.

 

7.4 – A oração pessoal

O diálogo pessoal, íntimo, profundo com Jesus Cristo, no Espírito Santo, nos fortalece na dignidade de filhos diante do Pai. O jovem é criativo quando se sente à vontade com Deus e amado por Ele. Olhando para Jesus, que não se cansava de rezar ao Pai, principalmente nos momentos de maiores decisões, o jovem se sente motivado a fazer o mesmo. Além do mais, tudo pode ser matéria de oração e de conversa com aquele que só deseja a entrega total, irrestrita, constante a ele e, por isso, doação aos irmãos e irmãs. A sintonia com Jesus Cristo cura as feridas, corrige os passos, orienta a vida, perdoa os pecados, acorda do comodismo e da inércia, critica as omissões e dá a alegria de viver. Não dá para ser de Cristo se não se reservam momentos especiais para estar com Ele. Este contato amigo anima à conversão, à retomada do projeto de vida, ao desejo de santidade, ao discernimento vocacional, ao compromisso com os mais pobres e sofredores, ao envolvimento na comunidade, ao fortalecimento da fé, da esperança e do amor.

 

7.5 – A oração comunitária

Nem sempre é fácil rezar com os outros, mas sabemos o quanto isto é importante para a espiritualidade cristã. Em comunidade, eleva-se a Deus uma voz uníssona. Juntos louvamos, pedimos, agradecemos, choramos, cantamos, silenciamos. Em comunidade, apresentamos a Deus os sucessos, as fraquezas, os sonhos, as lutas do povo. As muitas celebrações são momentos fortes de espiritualidade. Entre elas, destacamos a missa dominical. Ela ultrapassa os dias, as preocupações, as frustrações, os problemas, o cansaço, tão presentes na rotina dos outros dias da semana. Domingo é o dia de encontrar-se com os outros jovens e irmãos, também eles desejosos de novas respostas e forças para o seu cotidiano. É preciso recuperar o domingo como um dia especial de revigoramento espiritual.

 

7.6 – A participação na comunidade

Desde o início da História da Salvação, Deus forma um povo e vai se comunicando com  ele, num processo constante de diálogo, convite à conversão e ao compromisso, com promessas de felicidade e fidelidade. Deus quis salvar a pessoa não isoladamente, mas participante de um povo que o conhecesse na verdade e santamente o servisse (LG 9). A espiritualidade da comunhão fraterna é essencial na vida cristã e todo jovem é convidado, desde cedo, a fazer esta experiência fundante da fé através de seu envolvimento nas diversas responsabilidades assumidas na comunidade, O nosso testemunho de unidade, cultivado no exercício de cada membro de uma mesma comunidade, mostrará ao mundo a força transformadora da religião bem vivida. Ao lado dos outros, descobrimos não só o que temos de comum ou de diferente, mas acreditamos na comunicação de Deus, que se serve de todos para falar a todos.

 

7.7 –  A vivência dos Sacramentos

De maneira toda especial encontramo-nos com Jesus na celebração dos sacramentos. O jovem, batizado, desejoso de se tornar adulto na fé, descobre, mediante a preparação e a celebração do Sacramento da Crisma, uma ocasião de receber os dons do Espírito Santo e de ser ungido, isto é, consagrado para a missão. Ë importante que esta preparação leve o adolescente e o jovem a ter uma experiência comunitária da fé! Animado porque a Igreja reconhece este grau de maturidade, o jovem se alimenta constantemente da misericórdia de Deus e do Pão descido do céu. O sacramento daReconciliação, preparado de maneira adequada e jovial, é capaz de envolver e regenerar aquele que, nesta fase delicada da vida, se sente bastante agredido, atormentado, seduzido por tantos contravalores da sociedade comodista e hedoriista. Deus que perdoa também oferece um alimento eficaz ao jovem fraco e frágil: o Corpo e o Sangue de seu amado Filho Jesus. A evangelização da juventude precisa ter um coração eucarísrico! A comunhão eucarística, o exercício da adoração ao Santíssimo e tantas outras manifestações litúrgicas revigoram a vjda do jovem e o incentivam a ser, também ele, pão para as necessidades do próximo.

 

7.8 – A devoção a Nossa Senhora

O reconhecimento da presença materna de Mariase desenvolve a partir das celebrações litúrgicas e das diversas expressões da piedade popular. Entre elas destaca-se a reza do terço, com o qual, enquanto o jovem se sente abraçado pela Mãe, medita os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. De grande valia são também as celebrações e as festas marianas, as peregrinações aos santuários de Nossa Senhora, as procissões em sua homenagem. Ao mesmo tempo em que a comunidade em suas orações apresenta os jovens a Maria, ela, também, apresenta Maria aos jovens.

 

7.9 – Testamento espiritual de um Cristão

UM AMOR ESTÁ A MINHA ESPERA!

Quando para mim tudo for mudado para a eternidade, não sei o que vai me acontecer do outro lado.

Eu não sei, mas creio, creio unicamente que um amor me espera…

Como fazer um balanço, pobre e vazio?

Não se pense que entro em desespero!

Creio, creio que só um amor me espera.

Não me fale sobre honrarias e elogios aos santos.

Tenho condições somente de crer, crer com absoluta firmeza, que um amor me espera.

Agora que minha hora está tão perto, que dizer? Só consigo sorrir.

Aquilo em que acreditava, vou acreditar com mais força ainda no limiar da morte!

O caminho de ida, em que irei para o amor.

E no amor que devagar mergulharei.

Se eu morrer, não chore. É um amor que me acolhe.

Se tiver medo na hora da morte, e porque não? Uma singela lembrança me diz que o amor me espera.

A morte vai me abrir para a alegria e luz definitivas.

Sim, Pai, eu vou para o Senhor nas asas do vento, do qual a gente não sabe de onde vem e nem para onde vai.

Só creio, firmemente, que um amor me espera”.

Não diga a Deus que você tem um grande problema, mas diga ao seu problema que você tem um grande Deus que o ama pessoalmente…

 

Texto de   Dom Irineu Danelon – Bispo de Lins