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Cinco Frentes

 

O grande destaque da Pastoral da Sobriedade é, sem dúvidas, o grupo de apoio. Normalmente ele é a primeira atividade concreta a ser implantada nas paróquias. No entanto, esse trabalho é apenas uma pequena parte da ação concreta da Igreja com relação ao flagelo causado pelas drogas em nossa comunidade. É preciso enfrentar este mal de forma organizada. Como diz Dom Irineu Danelon, Bispo responsável pela Pastoral da Sobriedade:

 

“O mal está bem organizado, precisamos organizar bem, o bem”

 

O trabalho da Pastoral da Sobriedade acontece de forma sistêmica; envolve o dependente químico ou o doente emocional, seus familiares e amigos, engajando-os nas comunidades a quais pertencem e assim também na vida cristã.

 

Por isso, a Pastoral da Sobriedade atua em cinco frentes de trabalho: prevenção, intervenção, recuperação, re-inserção social-familiar e atuação política. Todas essas frentes têm igual importância e se completam uma nas outras.

 

Prevenção

prevenção é dirigida ao público que nunca experimentou drogas e àqueles que já as experimentaram sem, entretanto, terem se habituado ao uso ou fazerem uso esporádico. Busca, principalmente, mostrar que valores éticos, morais, familiares e espirituais devem ser enaltecidos e vividos.

 

Princípios de cidadania(direitos e deveres), gentileza, humildade e religiosidade são a base para sermos pessoas felizes.

 

Hoje em dia a prevenção deve ser trabalhada levando em conta o publico alvo  que deve ter o tipo de atividade e liguagem adequadas para surtir os efeitos esperados.

 

Não basta apenas dizer que o uso de drogas faz mal, muitas vezes criar ou incentivar oportunidades de lazer, cultura, educação, cursos profissionalizantes, esporte surtem efeitos maravilhosos na área da prevenção.

 

Intervenção

intervenção atua junto ao público que já se iniciou no uso de drogas ou faz uso dela de forma “recreativa”. Ou seja, usa a droga com frequência mas ainda consegue manter sua vida profissional e financeira e seus relacionamentos familiares e sociais longe dos prejuízos que as drogas podem trazer.

 

O importante aqui é saber que o risco não vale a pena. Mesmo que a pessoa não tenha desenvolvido a dependência química vale lembrar dos acidentes e da violência gerada por conta de pessoas sob o efeito de drogas.

 

Além do mais, sabemos que esse negócio de ” eu paro quando quiser”, não é bem assim e nem é tão fácil.

 

Recuperação

recuperação refere-se ao atendimento dos usuários de drogas em quem já se instalou a dependência química ou psicológica. Essa atividade se faz dentro dos grupos de apoio com a participação perseverante do adicto. Também pode acontecer em clinicas e comunidades terapêuticas especializadas. Em diversas dioceses existem comunidades terapêuticas mantidas pela Igreja e que seguem a filosofia da Pastoral da Sobriedade.

 

O segredo, no grupo de apoio, é a acolhida, que deve ser incondicional, sem julgamentos e sem acusações. É o momento em que se deve alegrar-se pelo primeiro passo daquele que chega buscando uma Vida Nove. No grupo de apoio acontece a recuperação do dependente químico e da família que recebe o apoio e a orientação necessária.

 

Reinserção Social/Familiar

re-inserção do dependente químico e do doente emocional na família, na sociedade e no mercado de trabalho é fundamental para que a recuperação aconteça de fato e com plenitude. Para isso é imprescindível que seus familiares participem dos grupos de auto ajuda, pois todos precisam de informação, formação e sustentação espiritual.

 

A família, a escola, o trabalho e a igreja são ambientes de formação muito importantes, para o desenvolvimento integral das pessoas e, por isso, necessitam atuar em interdependência (colaboração). Nesses ambientes, as pessoas aprendem os princípios universais que governam as atividades humanas e valores humanos e cristãos como ética, respeito, justiça, integridade, imparcialidade, honestidade, fidelidade, defesa da dignidade humana, etc. É na escola, no trabalho, na família e na igreja que podemos experimentar de fato a força educativa do amor.

 

Na área de reinserção social, precisamos observar ainda a questão profissional. A Pastoral da Sobriedade, em cada cidade, deve saber onde funcionam cursos profissionalizantes gratuitos, projetos sociais de geração de renda, PATs (posto de atendimento ao trabalhador), salas de telecursos, CEJAs (Centro de Educação de Jovens e Adultos) e qualquer outra oportunidade que pode colocar alguém em uma nova carreira profissional.

 

Atuação Política

Atuação Política acontece desenvolvendo consciência de que o problema das drogas vai muito além do dependente e de seus familiares. Isso pode ser feito refletindo sobre a violência, a miséria e a injustiça social que, a cada dia que passa, aumenta e se aproxima ainda mais de nós e de nossa família.

 

A pastoral (e qualquer pessoa) pode desenvolver a atuação política mobilizando a sociedade e o poder público para a criação de leis e de estruturas necessárias para que essas leis sejam cumpridas. Cobrar dos órgãos competentes que forneçam a ajuda social necessária para amparar a pessoas que buscam recuperação através da criação ou implantação de Caps-AD, comunidades terapêuticas, leitos específicos em hospitais públicos além de amparo à família.

 

Participar de fóruns e conselhos municipais de educação, segurança, saúde, de políticas sobre drogas (COMAD).

 

Estimular a participação na política partidária de quem tem essa vocação.

 

Visitar escolas, capelas, hospitais e outros locais para levar mensagens anti-drogas e de evangelização.

 

Conhecendo a rede pública da minha cidade no que diz respeito à apoio a dependentes químicos e familiares (grupos de apoio, casas de recuperação, ministério público, delegacias, hospitais, grupos de prevenção, Caps e Caps-AD).